terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Contos de um Bardo

Malpetrim, a cidade portuária mais movimentada do Reinado, prepara-se para o Festival de Malpetrim, onde é possível encontrar tudo, ou quase tudo que se procura, desde uma simples poção a uma rara magia, tornando-se assim, um dos pontos mais visados pelos avetureiros durante esse período.

- Por favor senhor, bardo, conte-nos novamente aquela história, do tal Paladino de Arton - disse uma menina com olhos castanho claros e cabelos ruivos
- Há! Mas ela de novo, contarei uma mais interessante. Uma que aconteceu em um festival em Zarkharin - disse o meio-elfo, que se diferenciava dos demais bardos, por suas largas vestes negras que cobriam seu franzino corpo, seu cabelo vermelho como o fogo de Thyatis balançava ao vento e seus olhos cor de mel, que quase não podiam ser vistos devido ao chapéu negro que usava enfeitado com uma pluma cor de rosa.

Algumas pessoas que passavam pela praça por ali ficavam ao ouvir as contagiantes palavras do bardo.

- Bem então contarei uma história , de dois deuses, que por pura disputa entre si, fizeram da vida de um elfo e de seu pequeno companheiro um verdadeiro inferno. Essa eu acho que não. Ela possui palavras que vocês não podem ouvir.
- Conta assim mesmo! - um menino careca gritou em resposta.
- Então tá. Começa assim.

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O manto de Tenebra já encobria os céus trazendo consigo, além os perigos da noite, uma espessa neblina que reduzia a visibilidade de quem caminhasse àquela hora. Desafiando as condições desfavoráveis, dois seres desafiavam a névoa, mal se aguentando em pé. Encontrando uma árvore, eles param para poder descansar.

- Já vamos parar Miguel? Ainda não deu nem pro gasto - disse o halfing, que parecia mais com uma fada pelo tamanho que tinha, sendo uma raridade em sua raça, pois media cerca de 15 centímetros, suas vestes verdes feitas sob medida caberiam em uma boneca infantil, seu cabelo de coloração negra encobria parcialmente seus olhos, que demonstravam uma determinação que muitos homens não tinham.

- Vai se fuder, porra!! Tu fica no meu ombro e ainda reclama, corno maldito!! - disse Miguel, um meio-elfo com talvez a roupa mais chamativa do Reinado. Usava uma camisa verde com mangas que chegavam até os punhos, calças amarelas que terminavam pouco depois do joelho, onde começavam suas botas pretas. Por cima disso tudo tinha ainda um manto vermelho, garantindo que fosse notado onde quer que fosse. Possuía um chapéu preto com uma pluma rosada, que dava-lhe um charme especial, encobrindo seus cabelos negros e olhos azuis. Desnecessário dizer que era um Swashbuckler.

- Se você quiser eu vou andando, mas vamos ter que seguir no meu ritmo.
- Porra!! Se formos no teu ritmo morro de velhice antes de chegarmos em Valkaria.
- Vamos fazer uma fogueira. Quero dizer, faça uma fogueira.
- Pode deixar, vou fazer uma fogueira e te usar como lenha, ou talvez te ponha no espeto, já que tô com fome mesmo. Se bem que você não deve nem tampar o buraco do dente...
- Uhum... O que é aquilo ali?
- Até parece que eu vo cair nesse truque, Wolf, eu sou esperto demais para isso! Vim de Ahlen, não lemb...
- Eu to falando sério, o que é aquilo que ta vindo ali? - Wolf aponta na direção oposta a que Miguel olhava.

No meio da neblina, surgia aos poucos uma forma humanóide, porém muito maior do que um humano e, aparentemente, com algo nas mãos, movimentando-se vagarosamente na direção da dupla.

- O que será que pode ser, Wolf?
- Não sei, mas é melhor você ir lá ver antes que chegue mais perto. Qualquer coisa, eu te cubro a retaguarda.
- Mas é claro! Sempre sobra pra mim... - dizendo isso Miguel movimentou-se velozmente em direção a criatura, mantendo a mão sempre no cabo de seu florete. Ao aproximar-se mais percebeu que a tal criatura na verdade era um meio-orc, embora não conseguisse destinguir o que ele carregava. Miguel, aproveitando-se de sua velocidade, dá um salto, desambainhando seu florete e atingindo em cheio o peito da criatura, que aparentemente não se preparara para o ataque, indo parar, agilmente, atrás do meio-orc.

- Droga! Mais um inimigo... - estendendo seu braço Wolf fez surgir por baixo de sua manga um tai-tai, arma típica dos halfings, que a utilizam tanto para combates quanto para torneios de arremesso de pedras. Com um rápido movimento ele apanhou uma de suas pedras especiais e a disparou contra a criatura, a pedra ao ser arremessada começou a emitir uma energia luminosa e a expandir-se rapidamente, e quando chegou em seu alvo já havia adiquirido o tamanho de um crânio humano, atingido com precisão seu estomago fazendo o meio-orc ir de cara ao chão.

- Mas que droga é essa Miguel, porque você atacou? - disse Wolf ao se aproximar.
- Olha só, ele é um meio-orc...
- E daí? Ele por acaso havia te atacado ou qualquer coisa do genero?
- Não, mas todos nós sabemos que os orcs não são nada amigáveis, certo? Então, como ele é meio-orc, considerei era só meio amigável,e ataquei a parte que não era amigável. além do mais, ele estava com algo em mãos, logo não poderia ser nada bom.
- Bem vamos virá-lo para ver melhor.

Ao virarem o meio-orc, eles perceberam algo de estranho em suas vestes, sendo elas rústicas, de uma coloração verde-musgo e com um simbolo de uma pequena árvore, cheia de ramos, bordada em seu peito. E veêm caído ao seu lado um porco, recentimente abatido ainda sangrando pela boca. Percebem, então, que na verdade o que o provável druida de Allihanna queria era ajudá-los, dividindo um pouco de sua refeição. Só lhes restou correr encontrar um modo de trazer o meio-orc de volta a vida, mas isto é uma outra história...


- Por Rhar-Mark, o Morto-vivo contador de histórias

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