terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A Balada de Beldur

Lamnor, antes do surgimento da Aliança Negra e da queda de Lennórienn, a cidade dos elfos.

Uma agradável melodia ecoava por toda Lennórienn. Sua fonte, um bardo dedilhando seu alaúde à sombra de um enorme carvalho. Uma leve brisa presnchia todo o ambiente, fazendo pétalas voarem à volta do bardo. seu colete vermelho aberto balançava ao sabor do vento, assim como seus cabelos loiros. As sandálias repousavam ao pé da árvore, encobertas pelo chapéu vermelho de abas largas. Uma pena de fênix adornava-o, colocada no topo.

Em um lago, com uma pequena queda d'água despejando frescor, uma bela elfa banhava-se. Seus cabelos azul-claro adquiriam variadas formas, ora grudando-se ao corpo estonteante da elfa, ora formando figuras abstratas ao gosto do vento que soprava. A pele molhada e brilhante era um convite à imaginação do bardo, fazendo-o delirar cada vez que ela emergia da água.

A melodia acompanhava o ritmo da elfa, o ritmo acelerando-se quando ela chegava à superfície e exibia seu corpo, e tornando-se vagaroso quando ela presenteava os peixes com sua presença.

O bardo mantinha-se sempre oculto na mata, permanecendo no bosque desde antes dela chegar, até muito depois que ela tivesse saído. Ficava ali, pensando em quão belo seria aquele romance. Mas tinha medo de que ela o rejeitasse. Eram apenas amigos de infância, consideravam-se irmãos. Então, tentava conquistá-la pela música, limitando-se a ser a trilha sonora dos momentos em que banhava-se naquele paraíso.

Em certo momento, distraiu-se olhando as nuvens, perdido em seus devaneios, e quando voltou seu olhar para sua musa, viu algo terrível. As águas antes transparentes do lago estavam manchadas de sangue, e o corpo inerte da elfa boiava, com uma flecha na nuca. Desesperado, correu até ela para tentar ajudar, embora sabendo que nada podia ser feito. Notou que a flecha era de hobgoblins, provavelmente batedores.

O bardo tomou-a nos braços, já com lágrimas escorrendo pelo seu rosto e tocando na elfa. Então chorou. De revolta, de tristeza, de raiva. Orou a todos os deuses que conhecia para trazê-la de volta, sobretudo Glórienn, mas nenhum atendeu. Decidiu então fazer uma melodia que tocasse até mesmo o coração divino.

Trancou-se em sua casa durante dias. Uns diziam que não comia, apenas trabalhava na canção. A maioria dizia que tinha enlouquecido.

Semanas após, foi encontrado morto, debruçado em seu alaúde e em algumas anotações. uma delas dizia: "Será que eu poderia simplesmente desistir disso tudo? Não, deixar de existir, jamais!". E então todos entenderam: onde quer que estivesse, ele estaria sempre trabalhando em sua canção para trazer sua amada de volta.

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- Essa é uma lenda entre os bardos. Não se sabe se é verdade ou não, mas a única coisa que temos certeza é que não importa o que você é nem de onde vem, se tem amor por algo, lute por ele, Vá até o inferno, se preciso. Mas nunca desista dele.



- Por Miguel, o Bardo 2/Swashbuclker 18

Contos de um Bardo

Malpetrim, a cidade portuária mais movimentada do Reinado, prepara-se para o Festival de Malpetrim, onde é possível encontrar tudo, ou quase tudo que se procura, desde uma simples poção a uma rara magia, tornando-se assim, um dos pontos mais visados pelos avetureiros durante esse período.

- Por favor senhor, bardo, conte-nos novamente aquela história, do tal Paladino de Arton - disse uma menina com olhos castanho claros e cabelos ruivos
- Há! Mas ela de novo, contarei uma mais interessante. Uma que aconteceu em um festival em Zarkharin - disse o meio-elfo, que se diferenciava dos demais bardos, por suas largas vestes negras que cobriam seu franzino corpo, seu cabelo vermelho como o fogo de Thyatis balançava ao vento e seus olhos cor de mel, que quase não podiam ser vistos devido ao chapéu negro que usava enfeitado com uma pluma cor de rosa.

Algumas pessoas que passavam pela praça por ali ficavam ao ouvir as contagiantes palavras do bardo.

- Bem então contarei uma história , de dois deuses, que por pura disputa entre si, fizeram da vida de um elfo e de seu pequeno companheiro um verdadeiro inferno. Essa eu acho que não. Ela possui palavras que vocês não podem ouvir.
- Conta assim mesmo! - um menino careca gritou em resposta.
- Então tá. Começa assim.

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O manto de Tenebra já encobria os céus trazendo consigo, além os perigos da noite, uma espessa neblina que reduzia a visibilidade de quem caminhasse àquela hora. Desafiando as condições desfavoráveis, dois seres desafiavam a névoa, mal se aguentando em pé. Encontrando uma árvore, eles param para poder descansar.

- Já vamos parar Miguel? Ainda não deu nem pro gasto - disse o halfing, que parecia mais com uma fada pelo tamanho que tinha, sendo uma raridade em sua raça, pois media cerca de 15 centímetros, suas vestes verdes feitas sob medida caberiam em uma boneca infantil, seu cabelo de coloração negra encobria parcialmente seus olhos, que demonstravam uma determinação que muitos homens não tinham.

- Vai se fuder, porra!! Tu fica no meu ombro e ainda reclama, corno maldito!! - disse Miguel, um meio-elfo com talvez a roupa mais chamativa do Reinado. Usava uma camisa verde com mangas que chegavam até os punhos, calças amarelas que terminavam pouco depois do joelho, onde começavam suas botas pretas. Por cima disso tudo tinha ainda um manto vermelho, garantindo que fosse notado onde quer que fosse. Possuía um chapéu preto com uma pluma rosada, que dava-lhe um charme especial, encobrindo seus cabelos negros e olhos azuis. Desnecessário dizer que era um Swashbuckler.

- Se você quiser eu vou andando, mas vamos ter que seguir no meu ritmo.
- Porra!! Se formos no teu ritmo morro de velhice antes de chegarmos em Valkaria.
- Vamos fazer uma fogueira. Quero dizer, faça uma fogueira.
- Pode deixar, vou fazer uma fogueira e te usar como lenha, ou talvez te ponha no espeto, já que tô com fome mesmo. Se bem que você não deve nem tampar o buraco do dente...
- Uhum... O que é aquilo ali?
- Até parece que eu vo cair nesse truque, Wolf, eu sou esperto demais para isso! Vim de Ahlen, não lemb...
- Eu to falando sério, o que é aquilo que ta vindo ali? - Wolf aponta na direção oposta a que Miguel olhava.

No meio da neblina, surgia aos poucos uma forma humanóide, porém muito maior do que um humano e, aparentemente, com algo nas mãos, movimentando-se vagarosamente na direção da dupla.

- O que será que pode ser, Wolf?
- Não sei, mas é melhor você ir lá ver antes que chegue mais perto. Qualquer coisa, eu te cubro a retaguarda.
- Mas é claro! Sempre sobra pra mim... - dizendo isso Miguel movimentou-se velozmente em direção a criatura, mantendo a mão sempre no cabo de seu florete. Ao aproximar-se mais percebeu que a tal criatura na verdade era um meio-orc, embora não conseguisse destinguir o que ele carregava. Miguel, aproveitando-se de sua velocidade, dá um salto, desambainhando seu florete e atingindo em cheio o peito da criatura, que aparentemente não se preparara para o ataque, indo parar, agilmente, atrás do meio-orc.

- Droga! Mais um inimigo... - estendendo seu braço Wolf fez surgir por baixo de sua manga um tai-tai, arma típica dos halfings, que a utilizam tanto para combates quanto para torneios de arremesso de pedras. Com um rápido movimento ele apanhou uma de suas pedras especiais e a disparou contra a criatura, a pedra ao ser arremessada começou a emitir uma energia luminosa e a expandir-se rapidamente, e quando chegou em seu alvo já havia adiquirido o tamanho de um crânio humano, atingido com precisão seu estomago fazendo o meio-orc ir de cara ao chão.

- Mas que droga é essa Miguel, porque você atacou? - disse Wolf ao se aproximar.
- Olha só, ele é um meio-orc...
- E daí? Ele por acaso havia te atacado ou qualquer coisa do genero?
- Não, mas todos nós sabemos que os orcs não são nada amigáveis, certo? Então, como ele é meio-orc, considerei era só meio amigável,e ataquei a parte que não era amigável. além do mais, ele estava com algo em mãos, logo não poderia ser nada bom.
- Bem vamos virá-lo para ver melhor.

Ao virarem o meio-orc, eles perceberam algo de estranho em suas vestes, sendo elas rústicas, de uma coloração verde-musgo e com um simbolo de uma pequena árvore, cheia de ramos, bordada em seu peito. E veêm caído ao seu lado um porco, recentimente abatido ainda sangrando pela boca. Percebem, então, que na verdade o que o provável druida de Allihanna queria era ajudá-los, dividindo um pouco de sua refeição. Só lhes restou correr encontrar um modo de trazer o meio-orc de volta a vida, mas isto é uma outra história...


- Por Rhar-Mark, o Morto-vivo contador de histórias