Lamnor, antes do surgimento da Aliança Negra e da queda de Lennórienn, a cidade dos elfos.
Uma agradável melodia ecoava por toda Lennórienn. Sua fonte, um bardo dedilhando seu alaúde à sombra de um enorme carvalho. Uma leve brisa presnchia todo o ambiente, fazendo pétalas voarem à volta do bardo. seu colete vermelho aberto balançava ao sabor do vento, assim como seus cabelos loiros. As sandálias repousavam ao pé da árvore, encobertas pelo chapéu vermelho de abas largas. Uma pena de fênix adornava-o, colocada no topo.
Em um lago, com uma pequena queda d'água despejando frescor, uma bela elfa banhava-se. Seus cabelos azul-claro adquiriam variadas formas, ora grudando-se ao corpo estonteante da elfa, ora formando figuras abstratas ao gosto do vento que soprava. A pele molhada e brilhante era um convite à imaginação do bardo, fazendo-o delirar cada vez que ela emergia da água.
A melodia acompanhava o ritmo da elfa, o ritmo acelerando-se quando ela chegava à superfície e exibia seu corpo, e tornando-se vagaroso quando ela presenteava os peixes com sua presença.
O bardo mantinha-se sempre oculto na mata, permanecendo no bosque desde antes dela chegar, até muito depois que ela tivesse saído. Ficava ali, pensando em quão belo seria aquele romance. Mas tinha medo de que ela o rejeitasse. Eram apenas amigos de infância, consideravam-se irmãos. Então, tentava conquistá-la pela música, limitando-se a ser a trilha sonora dos momentos em que banhava-se naquele paraíso.
Em certo momento, distraiu-se olhando as nuvens, perdido em seus devaneios, e quando voltou seu olhar para sua musa, viu algo terrível. As águas antes transparentes do lago estavam manchadas de sangue, e o corpo inerte da elfa boiava, com uma flecha na nuca. Desesperado, correu até ela para tentar ajudar, embora sabendo que nada podia ser feito. Notou que a flecha era de hobgoblins, provavelmente batedores.
O bardo tomou-a nos braços, já com lágrimas escorrendo pelo seu rosto e tocando na elfa. Então chorou. De revolta, de tristeza, de raiva. Orou a todos os deuses que conhecia para trazê-la de volta, sobretudo Glórienn, mas nenhum atendeu. Decidiu então fazer uma melodia que tocasse até mesmo o coração divino.
Trancou-se em sua casa durante dias. Uns diziam que não comia, apenas trabalhava na canção. A maioria dizia que tinha enlouquecido.
Semanas após, foi encontrado morto, debruçado em seu alaúde e em algumas anotações. uma delas dizia: "Será que eu poderia simplesmente desistir disso tudo? Não, deixar de existir, jamais!". E então todos entenderam: onde quer que estivesse, ele estaria sempre trabalhando em sua canção para trazer sua amada de volta.
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- Essa é uma lenda entre os bardos. Não se sabe se é verdade ou não, mas a única coisa que temos certeza é que não importa o que você é nem de onde vem, se tem amor por algo, lute por ele, Vá até o inferno, se preciso. Mas nunca desista dele.
- Por Miguel, o Bardo 2/Swashbuclker 18
Knew Aston Zagato
Há 12 anos